Você nunca imaginou o espinafre assim: uma volta ao mundo com 6 receitas criativas e cheias de sabor
Há ingredientes que têm sido rotulados injustamente há anos. O espinafre, por exemplo: para alguns, foi "o vegetal que tinha de existir"; para outros, um recurso rápido, um curinga que acaba em uma omelete ou em um refogado quando não há mais nada. Mas basta ver como eles são cozidos fora de nossas fronteiras para entender que seu papel é muito mais interessante.
Se você quiser fugir do clássico stir-fry, aqui estão seis ideias, da Itália à Grécia, com paradas na França, Turquia, Espanha e Índia, para viajar sem sair da cozinha. O mais importante é que, apesar do caráter exótico dessas receitas, elas podem ser facilmente reproduzidas em casa, pois não exigem técnicas ou ingredientes sofisticados.
1. Börek de espinafre - Turquia
Originário do mundo otomano, o börek transforma uma massa filo muito fina (yufka ou brick) em uma receita muito atraente e apetitosa. A massa é recheada, enrolada e, muitas vezes, disposta em espiral antes de ser assada, de modo que, ao ser cortada, as torções pareçam anéis. O recheio mais conhecido é o de espinafre com queijo salgado, tipo feta, e, dependendo da receita, uma pitada de endro ou cebolinha. O que vicia é o contraste: crocante e dourado por fora, suculento e levemente ácido por dentro.
2. Kofta de grão-de-bico e espinafre malai - Índia
Na culinária indiana, o espinafre (palak) não é tratado como um acompanhamento: ele é integrado, temperado e se torna parte do corpo do prato. Nessa versão, ele é misturado com grão-de-bico para formar koftas (bolinhos de legumes), que são servidos em um molho cremoso e perfumado. O resultado é um prato muito saboroso que convida você a pegar um pão (melhor se for um naan ou chapati) para espremer até a última gota.
3. Malfatti de espinafre e ricota - Itália
Na Itália, onde até mesmo o improviso costuma ter um nome, os malfatti (que literalmente significa "mal feito") são uma espécie de primo informal do nhoque: bolinhas tenras, deliberadamente imperfeitas, com uma textura amigável, feitas com espinafre e ricota (ou requeijão), às vezes com um pouco de farinha ou sêmola apenas para dar estrutura. É um prato simples, mas dá para saber quando a ricota está boa e o espinafre está bem escorrido: tudo fica mais leve e mais fino. O interessante aqui não é a perfeição, mas o oposto: aquela maciez rústica que permite o uso de manteiga e sálvia, tomate ou uma discreta chuva de parmesão.
4. Quiche de espinafre - França
Quiche é a elegância prática na forma de uma tortinha salgada: uma massa, geralmente folhada, recheada com ovos e creme (ou leite, dependendo da casa) à qual você adiciona (quase) qualquer ingrediente que tiver em casa. A quiche pode ser feita com cogumelos, bacon, alho-poró e salmão... O espinafre funciona especialmente bem porque equilibra a cremosidade do recheio com um sabor vegetal limpo e levemente adocicado. Depois, você pode completar com um pouco de queijo (comté, emmental, de cabra), cebola escalfada ou até mesmo um toque de noz-moscada. É um prato muito grato que melhora com o descanso, congela muito bem e é igualmente agradável quente ou frio.
5. Potaje de vigilia - Espanha
O sopa de grão-de-bico e espinafre é um prato que prova (como tantos outros na culinária espanhola) que a cozinha humilde pode ser sofisticada e tremendamente reconfortante. Grão-de-bico, espinafre e um sofrito ou majao com páprica (às vezes cominho, às vezes pão frito ou amêndoas para engrossar) formam uma base reconhecível em muitos lares. Essa é uma receita especialmente ligada à Quaresma e à Páscoa, embora ninguém precise de um calendário para apreciar um bom prato de colher. O espinafre desempenha um papel fundamental aqui, atuando como um contraponto vegetal à suavidade da leguminosa. O prato geralmente é finalizado com a adição de ovo cozido ou bacalhau, embora isso não seja estritamente necessário.
6. Spanakopita - Grécia
A spanakopita é, para muitos, a grande receita mediterrânea de espinafre: camadas de massa filo recheadas com espinafre, queijo feta e ervas (endro, cebolinha, salsa... cada casa tem sua própria mistura). É apresentada como uma massa dourada com camadas muito finas de massa que se quebram quando cortadas e que contêm um recheio verde, úmido e perfumado. O espinafre é misturado com queijo feta, que acrescenta salinidade e um toque de leite, e ervas frescas que lembram o jardim. Quando você come, primeiro percebe o leve crocante da massa e, em seguida, um interior macio, fresco e levemente ácido. Não é pesado ou pesado: é equilibrado, aromático e muito mediterrâneo. Pode ser consumido morno ou quente.
6 maneiras de viajar com espinafre
No final, essas seis receitas contam a mesma história com sotaques diferentes: que o espinafre, tratado adequadamente, não é mais um ingrediente indefinido, mas um verdadeiro desejo. Em um dia, ele fica crocante envolto em camadas de massa filo; em outro, torna-se uma reconfortante colherada de ensopado de grão-de-bico; em outro, é misturado com queijo e transformado em um pedaço delicado. Escolha um destino, vista seu avental, cozinhe e divirta-se viajando com seu paladar.
Patricia González





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