Você acha que comer orgânico te protege? Este detalhe sobre o cádmio está causando polêmica

terça 5 maio 2026 18:00 - Adèle Peyches
Você acha que comer orgânico te protege? Este detalhe sobre o cádmio está causando polêmica

Embora a agricultura orgânica seja frequentemente associada a hábitos alimentares mais saudáveis, uma questão está sendo debatida agora: o consumo de alimentos orgânicos realmente protege contra o cádmio?

Esse metal pesado, naturalmente presente nos solos, está no centro de um estudo recente da Anses. Nele, a agência confirma que parte da população francesa está superexposta ao cádmio por meio dos alimentos, e que isso está diretamente ligado à contaminação dos solos agrícolas.

Mas há um ponto em particular que está causando alvoroço: de acordo com a Anses, os produtos orgânicos não são poupados. Uma afirmação que está atraindo críticas dos participantes do setor.

Então, será que devemos reconsiderar nossas ideias preconcebidas? Veja como.


Cádmio: um contaminante discreto, mas muito presente

Antes de falar sobre orgânicos, é importante entender do que estamos falando.

O cádmio é um metal naturalmente presente no meio ambiente, mas sua concentração pode ser aumentada por determinadas atividades humanas, principalmente a agricultura.

Ele se acumula nos solos... e depois nas plantas e, portanto, em nossos alimentos.

De acordo com a Anses, os alimentos são responsáveis por até 98% da exposição ao cádmio em não fumantes. Essa é uma estatística importante que mostra a extensão em que nossos alimentos são diretamente afetados.

Os alimentos que mais contribuem não são produtos raros ou exóticos, mas itens do cotidiano:

  • cereais e produtos à base de trigo
  • pães, biscoitos, massas
  • batatas
  • vegetais

Em outras palavras, é difícil evitá-los completamente.

Orgânico ou convencional: uma diferença que não é tão óbvia?

É aqui que o debate começa.

Em sua análise, a Anses enfatiza que a presença de cádmio nos alimentos está ligada, acima de tudo, à presença de cádmio nos solos agrícolas. E, nesse ponto, um fato se destaca: orgânicas ou convencionais, as culturas crescem... no mesmo ambiente.

O cádmio no solo pode ser absorvido pelas plantas, independentemente do método de produção.

Foi essa observação que levou a agência a afirmar que os produtos da agricultura orgânica não são necessariamente menos contaminados.

Uma posição contestada pelo setor orgânico

Não é de surpreender que nem todos concordem com essa conclusão.

As pessoas envolvidas com a agricultura orgânica qualificam fortemente essa afirmação. Seu principal argumento: as práticas agrícolas são diferentes, principalmente no que diz respeito ao uso de fertilizantes.

Na agricultura convencional, certos fertilizantes minerais fosfatados podem conter cádmio e contribuir para enriquecer o solo com esse metal.

A própria Anses identifica esses fertilizantes como uma das principais fontes de contaminação do solo.

Na agricultura orgânica, esses fertilizantes são proibidos, o que, segundo os profissionais do setor, limita mecanicamente os aportes de cádmio.

Para eles, portanto, há uma diferença, mesmo que ela nem sempre seja visível em estudos globais.

Por que o assunto é mais complexo do que parece

O debate é tão animado porque a questão não é simplesmente uma questão de orgânico versus convencional.

Vários fatores entram em jogo:

  • a natureza do solo
  • histórico de cultivo
  • a presença de cádmio no ambiente local
  • práticas agrícolas anteriores

O solo que já está contaminado continuará a ter um impacto sobre as culturas, independentemente do método de produção atual.

Isso dificulta as comparações e explica as conclusões cautelosas obtidas pela Anses.

O verdadeiro desafio: agir na fonte

Além do debate entre orgânicos e convencionais, a Anses está insistindo em um ponto essencial: o problema está a montante, no solo.

É a contaminação dos solos agrícolas que está no centro da questão.

Para reduzir a exposição, a agência recomenda, em particular

  • limitar o teor de cádmio dos fertilizantes
  • adaptar as práticas agrícolas
  • desenvolver culturas que acumulem menos cádmio

Ela ainda propõe limites precisos para a entrada de cádmio nos solos.

Você deve mudar seus hábitos alimentares?

Essa é a pergunta que está na boca de todos.

A resposta da Anses é bastante clara: a solução não depende apenas de escolhas individuais. Trata-se, acima de tudo, de uma questão coletiva, ligada à agricultura e à regulamentação.

Mas isso não significa que os consumidores não tenham um papel a desempenhar.

Respeitar as recomendações nutricionais ainda é útil:

  • variar sua dieta
  • limitar certos produtos altamente processados à base de trigo
  • incluir mais legumes

Essas medidas podem reduzir a exposição e, ao mesmo tempo, melhorar o equilíbrio geral da dieta.

Então, comer produtos orgânicos é suficiente?

A resposta é sutil.

Não, o consumo de alimentos orgânicos não garante a ausência de cádmio.

Mas sim, determinadas práticas de agricultura orgânica podem limitar certas fontes de contaminação.

Orgânico não é uma solução milagrosa... mas também não deve ser equiparado a nada menos que isso.

Um assunto que vai além do prato

Basicamente, essa pergunta revela uma questão mais ampla.

O que comemos também depende de como é produzido.

Não dá para ver o cádmio, não dá para sentir o gosto dele... mas é um lembrete de que os alimentos estão intimamente ligados ao meio ambiente.

E, se quisermos fazer melhorias duradouras na qualidade do que comemos, muitas vezes é do solo e das práticas agrícolas que tudo depende.

Adèle PeychesAdèle Peyches
Responsável editorial da versão francesa que mal pode esperar o inverno para comer fondue! Apaixonada por gastronomia e sempre em busca de novas pérolas culinárias, primeiro estudei direito antes de voltar ao meu primeiro amor: o sabor dos bons produtos e o prazer de compartilhar à mesa :)

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