Essas duas massas têm exatamente os mesmos ingredientes... mas uma dispara o açúcar no sangue e a outra não
Durante muito tempo, eles foram menosprezados. Muito ricas, muito ricas em calorias, muito "rápidas". E, no entanto, a massa nunca foi o verdadeiro problema. O que muda tudo é a maneira como você a cozinha... e a maneira como você a come.
Quente, fria, reaquecida no micro-ondas ou delicadamente em uma panela: esses detalhes aparentemente insignificantes têm um efeito profundo nos níveis de açúcar no sangue.
O verdadeiro culpado: o amido
A massa é composta principalmente de amido, um carboidrato complexo. Quando recém-cozido e consumido quente, esse amido é digerido com muita facilidade. Como resultado, ele é rapidamente convertido em glicose, que passa rapidamente para a corrente sanguínea.
Os níveis de açúcar no sangue aumentam e depois caem com a mesma intensidade. Fadiga, fome, vontade de comer açúcar: a famosa "queda de energia" nunca está longe.
Esse fenômeno é ainda mais acentuado com a massa branca, que tem pouca fibra e é consumida sozinha, sem proteína ou gordura para retardar a digestão.
Por que o aquecimento global pode piorar as coisas
Seria de se esperar que deixar a massa esfriar resolvesse o problema. Mas tudo depende de como você a reaquece.
Colocar a massa branca no micro-ondas a torna ainda mais digerível. O calor rápido modifica ainda mais a estrutura do amido, que se torna quase "pré-mastigado" pelo organismo.
A glicose então entra na corrente sanguínea ainda mais rapidamente, causando um pico glicêmico que às vezes é maior do que quando consumido logo após o cozimento.
Esse mecanismo explica por que as sobras de macarrão reaquecidas às pressas podem, a longo prazo, levar a desequilíbrios metabólicos, principalmente em pessoas com níveis sensíveis de açúcar no sangue.
Resfriamento, um aliado inesperado
A boa notícia é que o frio muda tudo.
Quando a massa é deixada para esfriar na geladeira, o amido passa por uma transformação chamada retrogradação. Parte do amido se torna amido resistente.
O que isso significa na prática?
- Ele é menos bem digerido no intestino delgado
- Libera a glicose mais lentamente
- Ele se comporta mais como uma fibra
Resultado: os níveis de açúcar no sangue aumentam menos e mais gradualmente.
Um estudo realizado em 2014 pela Universidade de Surrey (Reino Unido) mostrou que a massa resfriada produziu uma resposta glicêmica significativamente menor do que a mesma massa consumida quente. Esse efeito também foi observado com arroz, batatas e até mesmo pão.
Frio... mas não qualquer frio
Para aproveitar ao máximo esse efeito, existem algumas regras simples:
- cozinhe o macarrão al dente (cozido demais, ele já terá um IG mais alto),
- deixe esfriar na geladeira, de preferência sem molho,
- coma-o frio como salada ou aqueça-o suavemente em uma frigideira ou em fogo baixo.
O micro-ondas deve ser usado com moderação. Ele não "estraga" totalmente o amido resistente, mas anula alguns de seus benefícios.
Armazenamento: dois dias na geladeira, no máximo três dias, em uma lata hermética.
E o que dizer do prato?
Uma salada de macarrão bem planejada preenche todos os requisitos:
- massa integral (mais rica em fibras),
- vegetais crocantes
- gorduras boas (azeite de oliva),
- proteínas (ovos, peixe, leguminosas).
O resultado : um prato saciante, níveis de energia mais estáveis... e muito menos fome no meio da tarde.
Qual é a moral?
Em vez de jogar fora as sobras de macarrão ou reaquecê-las mecanicamente entre uma reunião e outra, dê a elas uma segunda vida. Como salada, ela não é apenas prática... também é muito melhor para seus níveis de açúcar no sangue!
Adèle Peyches
Comentários
MiMiMi40
Muito interessante